4.2.2009
Angheben, elegância nacional

Por Silvia Cintra Franco*

Há quem comece por declarar que os espumantes brasileiros são de excelente qualidade só para poder emendar em seguida uma conjunção adversativa, um mas , um porém , um todavia ou mesmo um entretanto ali colocado com o intuito de desqualificar o restante da produção nacional de vinhos mais tranqüilos. O que não é nem justo nem verdadeiro. Didu Russo já me contou que numa penada se pode enumerar algumas dezenas de bons vinhos brasileiros. Pois agora, podemos afirmar também que o Brasil tem bons vinhos de garage ou butique , grife utilizada para nomear vinhos artesanais de baixíssima produção e altíssima qualidade.

É da Angheben um dos nossos vinhos nacionais de butique, elegante e de taninos suaves, e – pasme! - com preço correto ao alcance do comum dos mortais. Angheben é termo do celta antigo para denominar os habitantes do vale, mas no Brasil de hoje indica a vinícola familiar de Encruzilhada do Sul, situada na Serra, não a Gaúcha, mas a do Sudeste, no Rio Grande do Sul. Os enólogos Idalêncio Angheben e o filho Eduardo fazem parte de um seleto grupo de pequenos produtores artesanais comprometidos com a expressão do terroir e sem interesse em copiar o estilo dos vinhos chilenos e argentinos. Pelo contrário, produzem vinhos originais e únicos com castas européias menos conhecidas como a Barbera (norte da Itália), a Touriga Nacional (Portugal) ou a Teroldego (Trento, Itália) para elaborar em limitada produção vinhos elegantes, fáceis de beber e muito saborosos. E, surpreendentemente, com preços compatíveis e graus alcoólicos sensatos, na média de 12,5°.

O Barbera 2007, um pouco mais leve que o de Piedmonte, é um campeão de sabor e acidez perfeita, delicioso e fresco. Por razoáveis R$ 33,75. Um autêntico Best Buy. O Touriga Nacional 2004 (R$22,50) e o Cabernet Sauvignon 2004 (R$ 22,50) também são outros dois varietais saborosos de aroma intenso e uso sábio de barrica (50% passa por madeira nova e usada). Por falar em aroma, o Pinot Noir 2008 da Angheben apresenta característico e duradouro aroma de Pinot Noir, um vinho delicado, de taninos civilizados e muito prazer (R$ 36,25).





O Para os amantes dos brancos, a Angheben reserva além de um bom espumante Brut (R$ 46,25), um Gewürztraminer 2008 delicado, seco, sem untuosidade e excessos desagradáveis (R$ 29). Quem distribui a Angheben é a Vinci www.vincivinhos.com.br . Encruzilhadas do Sul na Serra do Sudeste tem um leque de temperaturas extremadas que atingem no verão 35°C de dia e 20°C de noite. É uma região mais versátil e seca, de solo pobre arenoso que permite a drenagem da água.



Idalêncio Angheben foi enólogo da Chandon e da Aurora, além de professor de enologia. É o homem que cuida das vinhas, enquanto o filho Eduardo, também enólogo, responde pela vinificação e para quem “não é a tecnologia que se reflete em qualidade, mas uma técnica apurada que vai desde a produção das uvas até a do vinho”. A vinícola começou em 1999 e o primeiro vinho foi lançado em 2001 e 2004 é a primeira safra de vinhos próprios. Assista o vídeo e veja o que eles têm a dizer .



*Silvia Cintra Franco é escritora, enófila e sócia da Associação Brasileira de Sommeliers.

Fonte: www.adegavinhos.com.br
 
 
13.3.2009
Ranking dos 100 melhores vinhos da Revista Prazeres da Mesa
 
4.2.2009
Finalmente
 
23.10.2008
Revista Prazeres da Mesa - As dicas de André Cavalcante, o sommelier que cuida das adegas da Rede Ráscal
 
24.7.2008
Revista Sexy: Vinhos Nacionais - Angheben
 
24.7.2008
Saul Galvão: Ibéricas no Brasil
 
14.11.2007
Ed Motta: De volta para a música
 
14.8.2007
Ed Motta: Os melhores vinhos do Brasil
 
13.8.2007
Renato Machado: O Rio Grande do Sul começa a plantar a uva portuguesa Touriga Nacional
 
13.8.2007
Jonathan Nossiter: O Caçador de Vinhos